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PALCO – A COR DO SOM ou GILBERTO GIL

E se Gilberto Gil tivesse desistido de continuar sua carreira, no início dos anos 1980?


Essa indagação tem a ver com a música de hoje no Blog. “Palco”, uma ode à interação entre artista e plateia. Que foi primeiramente gravada e lançada pelo grupo A Cor do Som. Vem comigo destrinchar esse novelo!


A música “Palco” foi composta por Gilberto Gil em um momento de incerteza profissional e reflexão sobre sua carreira, em que inclusive chegou a pensar em largar o ofício musical. Essa canção era para ser sua declaração final, expressando o que cantar significava para ele antes de parar e na qual o palco se torna um espaço sagrado de renovação, luz e entrega, mesclando a alegria e o amor à arte com ritmos brasileiros contagiantes que convidam à dança e à celebração da vida.


Versos como "minha alma cheira a talco como bumbum de bebê" transmitem a sensação de pureza e recomeço que o palco proporciona ao artista, um lugar onde ele se sente limpo e pronto para o novo. 


Ao mostrar a música para o grupo A Cor do Som, que pediram para gravá-la, Gil começou a encontrar o ânimo para não desistir. Pelo visto a gravação e o sucesso da faixa o convenceram a continuar em sua trajetória musical.


Essa música celebra o ato de estar no palco, com sua energia, a interação com o público, o canto, a dança e os instrumentos, reafirmando a resistência pela arte e a paixão pela performance. A canção tornou-se um clássico atemporal e um hino para artistas e fãs da música brasileira.


O Grupo A Cor do Som gravou e lançou a música “Palco” em um compacto, em 1980, e a incluiu, no mesmo ano, como a faixa 2 do álbum “Transe Total”.


A banda, com forte base em chorinho, jazz, pop dançante e música instrumental brasileira, apresenta “Palco” como uma canção performática, pensada para o show, para o movimento e para o virtuosismo coletivo. A interpretação é um convite à celebração.


A harmonia é tratada de forma mais instrumental e expansiva. A voz não é o centro, e sim um (ótimo) complemento ao conjunto total. O arranjo é rico, vibrante e cheio de camadas. Destaque para: belas guitarras com pegada rock/fusion, baixo bem ativo, bateria marcada, teclados e efeitos típicos da época. É um clima de palco real e também um imperativo convite a reflexão.


Na versão cantada por Gilberto Gil, incluída como a faixa 2 do álbum “Luar (A Gente Precisa Ver o Luar)”, lançada em 1981, o groove é bem refinado. A melodia, envolvente, e o clima energético, bem Pop. O tom, porém, é mais dançante do que a versão de A Cor do Som. Aqui, o conjunto da obra conduz o sentido da canção.


O arranjo é limpo e elegante, sofisticado pra época e com o instrumental pautado muito nos teclados (que passariam a ser a tônica dos anos 80).


Gil já chamou até o seu próprio estúdio de Palco. Porque Palco resume a sua alegria de estar com o público. Sem Palco, não haveria Gilberto Gil na plenitude que conhecemos. “... Uma canção que era, na verdade, para não deixar dúvida a respeito de tudo o que cantar representa para mim, e a respeito da minha relação com a música, simbolizada de forma completa pelo estar no palco", explicou Gil em 1981.


Quanto ao refrão, Gil explicou, em uma entrevista, que as expressões fogo eterno e inferno são expressões cristãs. O objetivo ao usar essas expressões é fortalecer seu desejo de que no palco só existam sensações boas. A palavra inferno é expressão para as coisas ruins. O fogo eterno seria a chama musical interior, inextinguível. É esse fogo eterno, numa perspectiva interior, que afugenta as coisas ruins, o inferno, para outro lugar.


Na versão cantada pelo A Cor do Som, há uma ênfase no “fora daqui”, como querendo reforçar a purificação e o afastamento das mazelas e das dores do mundo.


Fogo eterno pra afugentar

O inferno pra outro lugar

Fogo eterno pra consumir

O inferno, fora daqui

Lalaiá lalaiá... fora daqui


Ou seja, são duas versões que quase como que se complementam! E aí, a escolha é sua! Como li em um comentário no YouTube:


“Música é como tempero... cada um tem o seu...Palco é como um prato maravilhoso e cada cozinheiro faz do seu jeito...as duas versões são lindas!”


Sobe o som e vamos curtir e “invadir” juntos esse Palco!


E lembre-se: você pode escolher a versão da qual mais gostou. Indique sua escolha nos comentários!





1 comentário


Original - A Cor do Som!

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