PALCO – A COR DO SOM ou GILBERTO GIL
- Carlos Henrique
- há 2 dias
- 3 min de leitura
E se Gilberto Gil tivesse desistido de continuar sua carreira, no início dos anos 1980?
Essa indagação tem a ver com a música de hoje no Blog. “Palco”, uma ode à interação entre artista e plateia. Que foi primeiramente gravada e lançada pelo grupo A Cor do Som. Vem comigo destrinchar esse novelo!
A música “Palco” foi composta por Gilberto Gil em um momento de incerteza profissional e reflexão sobre sua carreira, em que inclusive chegou a pensar em largar o ofício musical. Essa canção era para ser sua declaração final, expressando o que cantar significava para ele antes de parar e na qual o palco se torna um espaço sagrado de renovação, luz e entrega, mesclando a alegria e o amor à arte com ritmos brasileiros contagiantes que convidam à dança e à celebração da vida.
Versos como "minha alma cheira a talco como bumbum de bebê" transmitem a sensação de pureza e recomeço que o palco proporciona ao artista, um lugar onde ele se sente limpo e pronto para o novo.
Ao mostrar a música para o grupo A Cor do Som, que pediram para gravá-la, Gil começou a encontrar o ânimo para não desistir. Pelo visto a gravação e o sucesso da faixa o convenceram a continuar em sua trajetória musical.
Essa música celebra o ato de estar no palco, com sua energia, a interação com o público, o canto, a dança e os instrumentos, reafirmando a resistência pela arte e a paixão pela performance. A canção tornou-se um clássico atemporal e um hino para artistas e fãs da música brasileira.
O Grupo A Cor do Som gravou e lançou a música “Palco” em um compacto, em 1980, e a incluiu, no mesmo ano, como a faixa 2 do álbum “Transe Total”.
A banda, com forte base em chorinho, jazz, pop dançante e música instrumental brasileira, apresenta “Palco” como uma canção performática, pensada para o show, para o movimento e para o virtuosismo coletivo. A interpretação é um convite à celebração.
A harmonia é tratada de forma mais instrumental e expansiva. A voz não é o centro, e sim um (ótimo) complemento ao conjunto total. O arranjo é rico, vibrante e cheio de camadas. Destaque para: belas guitarras com pegada rock/fusion, baixo bem ativo, bateria marcada, teclados e efeitos típicos da época. É um clima de palco real e também um imperativo convite a reflexão.
Na versão cantada por Gilberto Gil, incluída como a faixa 2 do álbum “Luar (A Gente Precisa Ver o Luar)”, lançada em 1981, o groove é bem refinado. A melodia, envolvente, e o clima energético, bem Pop. O tom, porém, é mais dançante do que a versão de A Cor do Som. Aqui, o conjunto da obra conduz o sentido da canção.
O arranjo é limpo e elegante, sofisticado pra época e com o instrumental pautado muito nos teclados (que passariam a ser a tônica dos anos 80).
Gil já chamou até o seu próprio estúdio de Palco. Porque Palco resume a sua alegria de estar com o público. Sem Palco, não haveria Gilberto Gil na plenitude que conhecemos. “... Uma canção que era, na verdade, para não deixar dúvida a respeito de tudo o que cantar representa para mim, e a respeito da minha relação com a música, simbolizada de forma completa pelo estar no palco", explicou Gil em 1981.
Quanto ao refrão, Gil explicou, em uma entrevista, que as expressões fogo eterno e inferno são expressões cristãs. O objetivo ao usar essas expressões é fortalecer seu desejo de que no palco só existam sensações boas. A palavra inferno é expressão para as coisas ruins. O fogo eterno seria a chama musical interior, inextinguível. É esse fogo eterno, numa perspectiva interior, que afugenta as coisas ruins, o inferno, para outro lugar.
Na versão cantada pelo A Cor do Som, há uma ênfase no “fora daqui”, como querendo reforçar a purificação e o afastamento das mazelas e das dores do mundo.
Fogo eterno pra afugentar
O inferno pra outro lugar
Fogo eterno pra consumir
O inferno, fora daqui
Lalaiá lalaiá... fora daqui
Ou seja, são duas versões que quase como que se complementam! E aí, a escolha é sua! Como li em um comentário no YouTube:
“Música é como tempero... cada um tem o seu...Palco é como um prato maravilhoso e cada cozinheiro faz do seu jeito...as duas versões são lindas!”
Sobe o som e vamos curtir e “invadir” juntos esse Palco!
E lembre-se: você pode escolher a versão da qual mais gostou. Indique sua escolha nos comentários!
Spotify - Original - A Cor do Som: https://open.spotify.com/intl-pt/track/1QmFQSjCbfsWhKkimMqFAm?si=08854990217b41f3
Spotify - Versão - Gilberto Gil: https://open.spotify.com/intl-pt/track/2wL88cvKXUOfHuYVd62hji?si=7f5721c51a584252

Original - A Cor do Som!