JOKERMAN - BOB DYLAN ou CAETANO VELOSO
- Carlos Henrique
- 23 de set. de 2025
- 2 min de leitura
Como anunciado, o Blog inaugura, a partir de agora, uma nova forma de abordagem musical, mais interativa, embasada no conceito: qual a sua preferida?
A música de hoje é Jokerman.
A canção é de autoria de Bob Dylan, lançada originalmente no excelente álbum (aclamado pela crítica especializada) "Infidels", em 1983. É a faixa de abertura. Lembro-me de ter comprado esse vinil e ter me encantado com essa canção.
A letra é poesia pura, escancara o poder das palavras. Mistura referências bíblicas com referências e imagens históricas, políticas, bíblicas, mitológicas, espirituais... Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 2016, nessa música Bob mostra um personagem ambíguo, atormentado, que transita entre o caos, o material e o sobrenatural, sem se comprometer fortemente com nenhum lado. O Jokerman é apresentado como uma figura enigmática, observando as contradições do mundo de forma ambivalente e com críticas a líderes e ideologias, com uma sabedoria messiânica.
O arranjo vai numa levada folk rock e "reggae light", bem sedutora, uma balada gostosa de ouvir e de refletir sobre, com uma progressão harmônica que ganha força pelo groove. Dylan canta com uma voz mais clara, mais melódica e menos rouca do que em outras ocasiões. E a participação de Mark Knopfler e Mick Taylor nas guitarras é um luxo!
Tal não foi minha supresa que, quase dez anos depois, o mestre Caetano Veloso revisitou essa bela música, gravando sua versão, incluída no álbum "Circuladô – Vivo", lançado em 1992 (é a faixa 12).
Tudo com um arranjo mais minimalista, perfeito, coordenado genialmente por Jaques Morelenbaun, além de um ritmo carregado pelos tambores estilo olodum, acompanhados de violão, guitarra, baixo, bateria e violoncelo, este um diferencial também!
Caetano privilegia a clareza na voz, o arranjo incrível e o "diálogo" sincronizado entre a voz e os instrumentos.
Uma rica mistura, que traz um resultado surpreendente, além de uma performance vocal impecável, com emoção, de Caetano (incluindo alguns “falsetes” na sua interpretação). Ficou diferente, mas simbolicamete magistral!
Sobe o som e vamos curtir juntos essas performances… e vc faz a sua escolha de qual versão mais gostou, combinado?
Indique sua escolha nos comentários!

Embora eu tenha uma admiração imensa pelo Caetano, fico com a versão do Bob, não pela performance em si, mas simplesmente por ser o autor dessa letra absurdamente inquietante!
Eu não conhecia esse som. Achei interessante e fui atrás porque o Caetano é conhecido por ser muito competente em fazer versões com harmonias bem sofisticadas e Bob Dylan é, por essência, harmonicamente simples. A única diferença é que o Caetano usou uma afinação natural, com tom em A (lá maior), enquanto o Dylan está meio tom a cima Bb (Si bemol). O mais interessante é que a versão do Caetano é ainda mais simples do que a do Bob Dylan, o que mostra grande respeito pela ideia original. Passando a régua, fico mais com a original do Mr Dylan.
As duas versões são muito especiais, mas hoje vou de Bob